
Colhemos aos de Quistiláns no miolo da aldeia, recém vidos dumha viagema Negueira de Munhiz. Os irmaos Rubén e Xosé Ramón (Nhagho) Melide Romai levam algo mais dum lustro a rimarem umhas palavras com outras para elaborar coerentes e contundentes mensagens. Um momento com eles afasta-nos da imagem de rapeiro californiano coberto de ouro que vemos tam amiúde. Isto é rap de aldeia. Ainda faltando o Roi, de viagem na Suíça, hoje a Folha da Fouce dá-lhes a palavra.
Quando começastes a rapear? Qual foi o motivo?
NH:Eu comecei no ano 2001, dado que a gente maior da minha aldeia já estava a rapear daquela. Eu tamém decidim provar, porque tinha gana de dar a conhecer as minhas ideias e inquedanças como faziam eles.
R:O meu começo foi no ano 2000 na casa do Naipi no meio da aldeia de Quistiláns. Lembro que começámos o Naipi, o Noé e mais eu a rapear um dia perto do Nadal, cebando-nos com Raphael e o pianista de Cine de Barrio. Depois tivemos um grupo que tivo vários nomes (o mais conhecido deles foi Palavra Maestra). Com ele demos vários concertos, até que o projecto acabou por rachar. Agora mesmo venho dum período de certa inactividade.
Por quê só em galego?
NH: É a língua que me ensionárom e que sei desde que nascim. Nom me sei exprimir melhor em nengumha outra.
R: E ademais é um orgulho ser falante de galego nestes tempos de etnocídio e globalizaçom corrossiva.
Qual adoita ser a temática das vossas letras?
NH: Eu falo das cousas que acontecem ao meu arredor: a autovia, o lume no monte, o turismo agressivo, a especulaçom...
R: Eu tamém vou um pouco por aí, mas as minhas letras nom tenhem um conteúdo exclusivamente sócio-político. Tamém gosto de escrever sobre qualquer paranóia ou curiosidade, caralhadas e cousas que che fam passá-lo bem. Se falas só da realidade crua e nua, convertes-te num pessimista e podes apanhar umha úlcera. A chave, como em tantas outras cousas, é o equilíbrio.
O hip-hop sói associar-se às cadeias de ouro e a condutas egocêntricas ou mesmo violentas. É esta umha associaçom correcta?
NH: Nadinha de nada... buá...essa que a responda este! Isso é estética. O que realmente importa é a mensagem dos temas. Muita gente leva roupa rechamante e mui pouca gente fala da realidade.
R: O tópico estendido massivamente acerca do hip-hop é esse. Para qualquer pessoa que conhece a sua história, isto é um absurdo.Existe o que estás a dizer, mas também existe o contrário, e umha loga escala de intermeios. Suponho que a percentagem de rapeiros violentos será similar à de pessoas violentas em geral, e o mesmo para o egocentrismo. Tamém dim que os cataláns som tacanhos ou que os bascos som uns animais...os tópicos estám para isso, para nom lhes fazer caso.
Quais som para vós os principais problemas da vossa aldeia e da Amaía em geral?
NH: A especulaçom, a construçom desmesurada, a autovia que figérom para os madrilenhos irem de Compostela à praia, a contaminaçom do Sar e um longo etcétera.
R: Ademais disto, o perigo que corre a nossa língua e a nossa cultura, o muitíssimo que se droga a mocidade (e nom estou a falar de vinhos e caroços) e o consumismo. Relacionado co da autovia, a estúpida cultura do veículo de motor privado. É um círculo vicioso complicadode fechar. Isto sem contar a situaçom concreta de Quitiláns. Onte éramos umha aldeia e amanhá seremos um bairro residencialcompostelano.
E as soluçons?
NH: Em realidade hai muitas, mas é todo tam complicado...
R: Existem as soluçons quotidianas e a soluçom global que terá que chegar. Como soluçons quotidianas estám aquelas que nos afastam do modelo de vida de autómata: conhecer, defender e cuidar a nossa terra, falar só em galego, produzir menos lixo, posicionar-nos em contra do Exército estrangeiro que recluta os moços de aquí aproveitando-se do desemprego... Temos todo um mundo de pequenas soluçons no dia-a-dia. A soluçom total virá quando a Terra seja da gente e nom da oligarquia, quando Galiza seja dona de si mesma.
